Um plano de SEO é o documento que diz quais buscas a empresa quer ganhar, em que ordem, com que páginas e como vai medir o resultado. Ele cobre um período de 6 a 12 meses e termina em tarefas com dono e data, não em uma lista de boas intenções.
A maioria das empresas B2B que chega até nós tem SEO feito, mas não tem plano. Há um blog com posts de épocas diferentes, uma agência que manda relatório de posições e ninguém que saiba dizer por que o próximo texto é sobre aquele assunto e não sobre outro.
Este modelo segue a ordem em que montamos o plano nos clientes. Ele parte do guia completo de SEO e acrescenta o que o guia não cobre: a escolha das prioridades e a parte da busca que hoje acontece dentro das respostas de IA.
O que entra e o que fica de fora
Entra tudo que muda a posição da empresa nas buscas que importam para a venda: a base técnica do site, o mapa de temas, as páginas novas, a atualização das antigas, a autoridade vinda de fora e a medição. Fica de fora o que não depende de busca, como mídia paga e e-mail, que têm plano próprio.
Um plano de SEO também não é um calendário editorial. O calendário é uma das saídas do plano, e só faz sentido depois que se sabe quais buscas valem a pena.
O modelo em 6 etapas
| Etapa | Pergunta que responde | Saída |
|---|---|---|
| 1. Diagnóstico | Onde o site está hoje? | Lista de problemas técnicos e de páginas que perdem busca |
| 2. Mapa de buscas | O que o comprador digita? | Planilha de temas por etapa da compra |
| 3. Prioridades | O que fazer primeiro? | Ranking por potencial, esforço e proximidade da venda |
| 4. Páginas | O que criar, atualizar ou juntar? | Plano de conteúdo com responsável |
| 5. Autoridade | Quem de fora confirma a empresa? | Metas de menções, artigos assinados e links |
| 6. Medição | Como saber se funcionou? | Painel mensal com poucos números |
1. Diagnóstico
Comece pelo que já existe. Abra o Search Console e olhe duas listas: as páginas com mais impressões e as buscas em que o site aparece entre a 4ª e a 20ª posição. É onde o ganho é mais barato, porque a página já está na disputa.
Depois vem a parte técnica: indexação, velocidade, páginas duplicadas, redirecionamentos e o sitemap. Em uma empresa de tecnologia que acompanhamos, dois domínios da mesma marca disputavam as mesmas buscas. Antes de produzir qualquer conteúdo, foi preciso decidir qual dos dois era a empresa para o Google. Ao longo do trabalho, as impressões passaram de cerca de 10 mil para cerca de 63 mil por mês em um ano, e a posição média saiu de 60 para 20.
2. Mapa de buscas
Liste as buscas por etapa da compra: quem ainda não sabe que tem o problema, quem compara soluções e quem já está escolhendo fornecedor. A pesquisa de palavras-chave dá o volume. A conversa com vendas dá o que o volume não mostra: as perguntas que o cliente faz na reunião, com as palavras dele.
Um erro frequente é montar o mapa só com buscas de volume alto. Em B2B, uma busca com 50 pesquisas por mês pode trazer mais negócio do que uma com 5 mil, se quem digita já está comparando fornecedores.
3. Prioridades
Dê uma nota de 1 a 5 para cada tema em três pontos: quanto a empresa já tem de autoridade no assunto, quanto trabalho exige e quão perto da venda a busca está. Os temas com nota alta nos três vão para o primeiro trimestre.
Corte sem pena o que ficou no fim da lista. Um plano que promete cobrir tudo cobre pouco.
4. Páginas: criar, atualizar ou juntar
Para cada tema, a decisão é uma entre três. Criar, quando não há página. Atualizar, quando já existe e perdeu posição. Juntar, quando duas ou mais páginas disputam a mesma busca e o Google não sabe qual mostrar.
Na prática, a atualização rende mais do que a criação em sites com mais de dois anos de blog. Uma página que já tem histórico, links e impressões responde mais rápido a um título melhor, um primeiro parágrafo que responde a pergunta e uma seção de perguntas frequentes.
5. Autoridade
O Google e as IAs confiam mais no que outras fontes dizem da empresa do que no que ela diz de si. Este item costuma ser o mais esquecido, porque não depende do site: depende de matéria em veículo do setor, artigo assinado por um executivo, participação em evento, citação de cliente.
É aqui que o SEO encontra a reputação. Defina uma meta realista de menções externas por trimestre e uma lista de quem pode publicar sobre a empresa.
6. Medição
Escolha poucos números e leia sempre os mesmos: cliques e impressões das páginas prioritárias no Search Console, sessões orgânicas e contatos vindos de busca no Analytics. Se o Analytics soma as visitas vindas de ferramentas de IA ao tráfego direto, separe essas visitas num canal próprio antes de começar, ou o resultado vai aparecer no lugar errado.
Evite o relatório que só mostra posição de palavra-chave. Posição sem contato gerado não paga o plano.
Um cronograma de 12 meses
| Período | Foco |
|---|---|
| Mês 1 | Diagnóstico, correção técnica e mapa de buscas |
| Meses 2 e 3 | Atualização das páginas que já estão entre a 4ª e a 20ª posição |
| Meses 4 a 6 | Páginas novas dos temas prioritários e primeira rodada de autoridade |
| Meses 7 a 9 | Segunda rodada de conteúdo, junção de páginas concorrentes, revisão do mapa |
| Meses 10 a 12 | Balanço, corte do que não funcionou e plano do ano seguinte |
Os primeiros resultados em busca costumam aparecer entre o terceiro e o sexto mês. Quem promete antes disso está medindo outra coisa.
O que mudou: o plano precisa pensar nas IAs
Hoje parte da pesquisa termina numa resposta pronta, sem clique. As respostas de IA no topo do Google e os assistentes como o ChatGPT usam páginas do site e de terceiros para responder, e o plano de SEO precisa decidir o que fazer com isso. A diferença entre SEO e GEO é de objetivo: no primeiro, ranquear; no segundo, ser a fonte que a resposta cita.
Na prática, isso acrescenta quatro itens ao plano:
- Um primeiro parágrafo de cada página que defina o assunto em até 60 palavras, sem link, porque é o trecho que os modelos costumam citar.
- Perguntas frequentes em cada página prioritária, com resposta direta.
- Autoria clara e uma página de quem assina, para o modelo saber quem está falando.
- Uma lista de arquivos e páginas de referência do site, como o llms.txt, mantida atualizada.
Cuidar disso junto com a autoridade externa é o que chamamos de engenharia da relevância.
Erros comuns
- Começar pelo calendário editorial. Sem o mapa de buscas, o calendário vira opinião.
- Publicar mais em vez de atualizar. O blog cresce e o tráfego fica no mesmo lugar.
- Medir só posição. A palavra-chave sobe, o contato não.
- Tratar SEO como projeto de três meses. A busca premia consistência por mais de um ano, e o plano precisa de dono interno.
Perguntas frequentes
O que é um plano de SEO?
É o documento que define as buscas que a empresa quer ganhar, as páginas que vai criar ou atualizar, as ações de autoridade e as métricas de acompanhamento, com prazos e responsáveis.
Quanto tempo leva para um plano de SEO dar resultado?
Em geral, de 3 a 6 meses para os primeiros sinais em páginas já existentes e de 6 a 12 meses para temas novos. O prazo muda com a idade do site e com a concorrência da busca.
Qual a diferença entre plano de SEO e estratégia de SEO?
A estratégia define a direção: onde a empresa quer ser encontrada e por quê. O plano a transforma em tarefas, prazos e responsáveis.
Preciso de um plano diferente para aparecer nas IAs?
Não, mas o plano precisa incluir os itens que as IAs leem: definição clara no início da página, perguntas e respostas, autoria e confirmação de fontes externas.
Por onde começar?
Medindo. A leitura rápida do Otimindex leva 5 minutos e mostra a nota de 0 a 100 e o mapa das camadas.
